quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O prazer é rosa

Tradição francesa, expertise chilena e terroir brasileiro têm feito da Vinícola Geisse (ex-Cave de Amadeu), do enólogo chileno Mário Geisse, a grande sensação do momento no que diz respeito a espumantes. A fama da vinícola se confirma quando abrimos um Amadeu Brut Rosé (R$ 34,90), que impressiona pela elegância e qualidade, responsáveis por fazer desse espumante até mesmo um bom custo-benefício.

Composta exclusivamente de uvas Pinot Noir, o fermentado é produzido pelo método champenoise e passa por um amadurecimento de pelo menos um ano antes de chegar ao mercado. O vinho tem coloração rosa levemente tostada e apresenta um ótimo perlage, com bolhas finas e constantes. No nariz, mostra muita fruta, notadamente cereja e morango, que são confirmadas no paladar, acompanhadas de uma significativa e agradável acidez.

Harmonizei esse espumante apenas com um bom filme e uma boa companhia (o que, na verdade, já é muito!), mas acredito que ele seja um bom acompanhamento para canapés e carnes leves, como frango e peru, ou até mesmo, por contraste, para uma bela feijoada. O Amadeu Brut Rosé é com certeza um ótimo “aperitivo” para o premiado Cave Geisse Nature, da linha de espumantes mais selecionados da casa. Mas isso é assunto para outro post...

Amadeu Brut Rose
Preço: R$ 34,90
Classificação: Muito bom
Harmonização: Aperitivos, carnes leves e feijoada.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sorteio de espumantes – Nacional

O blog Pequenos Prazeres quer encher a sua taça neste fim de ano. Depois de sortear três espumantes para Resende e região, o blog lança uma promoção válida para todo o país, graças a uma parceria firmada com a Winery Importadora e a vinícola Don Giovanni. Serão sorteadas três garrafas: duas do premiadíssimo Don Giovanni Brut (foto) e uma do Prosecco Moinet Extra-Dry IGT, eleito a “Melhor Compra” pela Vinho Magazine em 2008. Para concorrer, basta deixar um comentário neste post com seu nome, e-mail e cidade onde mora. O resultado do sorteio será divulgado no próximo dia 15.

Representante da Serra Gaúcha, o espumante Don Giovanni Brut é composto das uvas Chardonnay (75%) e Pinot Noir (25%), sendo produzido a partir do método tradicional, a champenoise. Segundo sua ficha técnica, apresenta coloração amarelo-palha esverdeada, com aromas frutados e de envelhecimento, além de aromas de maçã, abacaxi e mamão, com um toque tostado. A harmonização indicada pelo produtor inclui aperitivos, frutos do mar, saladas, massas com temperos médios e queijos em geral. A vinícola Don Giovanni fica na região de Pinto Bandeira, em Bento Gonçalves, e possui vinhedos de mais de 40 anos de idade. A vinícola tem base familiar e em sua gama de produtos estão, além de oito tipos de espumante, tintos e brancos tranquilos.

Composto exclusivamente de uvas Prosecco, o Moinet Extra-Dry IGT é produzido na região de Conegliano – referência em qualidade para este tipo de espumante. Segundo a Winery, a bebida tem coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados, acidez equilibrada, sabor frutado e notas cítricas. Além de ser ideal para aperitivos, esse Prosecco é indicado para acompanhar peixes, aves e carnes magras. Fundada em 1998 como distribuidora de vinhos, a Winery tornou-se também importadora em 2007. A empresa tem sede em São Paulo e trabalha com rótulos da Itália, França, Portugal, Espanha, Chile e Argentina.

O sorteio será feito por Random e os vencedores irão receber o prêmio em casa.

Boa sorte a todos!



Esta promoção é resultado de uma parceria com a Winery Import e a vinícola Don Giovanni.

Charme notório

Se “Interlúdio” (“Notorious”), de Alfred Hitchcok, fosse um vinho, certamente seria um espumante, mais precisamente, um Champagne. Esse filme noir da primeira fase do mestre do suspense impressiona pela elegância, aliando o estilo inconfundível do diretor à beleza clássica de Ingrid Bergman e ao glamour do Rio de Janeiro da década de 40. Filmado e ambientado em pleno pós-guerra, este filme de 1946 tem uma trama cheia de suspense e romance. Na pele da filha de um espião alemão, a personagem de Ingrid Bergman é convocada por um agente secreto americano (Cary Grant) a se infiltrar em uma organização nazista que atua no Rio de Janeiro.

Em pouco tempo, o casal se apaixona, mas os dois terminam se afastando quando descobrem que a missão requer o envolvimento dela com um dos nazistas. Os esforços da moça para desvendar o funcionamento da organização criminosa são entremeados por uma série de conflitos entre ela e o agente, com a tensão sexual nas alturas, numa espécie de trama paralela.

“Interlúdio” tem uma estória simples, porém muito bem contada e burilada pela elegância e a precisão da câmera de Hitchcock. Merece atenção especial a célebre cena em que, durante uma festa, a mão da personagem de Ingrid Bergman aparece em close segurando uma chave. O close também é usado para mostrar outros objetos que terão papel fundamental na trama, como uma garrafa de Champagne esquecida por Grant num escritório. Os vinhos, aliás, têm um papel de destaque no desenrolar dos acontecimentos, e estão presentes em alguns dos momentos mais importantes do filme. Mas isso, assim como a cena em que há a tradicional aparição de Hitchcok, cabe a quem assiste descobrir...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Resultado do sorteio de espumantes – Resende e região

Os ganhadores do Prosecco La Castella Extra Dry foram Kátia Lopes Quirino, de Resende, e Yuri Campos, de Volta Redonda. . Já o Nieto Senetiner Brut Nature, vai para Bárbara Chantal, de Volta Redonda. O sorteio foi feito por Random, ferramenta gratuita para a seleção aleatória de números disponível na internet. Entrarei em contato os ganhadores por e-mail para combinar a retirada dos prêmios. Parabéns aos vencedores e muito obrigada a todos os participantes da promoção, lembrando que amanhã terá início um novo sorteio de espumantes, agora válido para todo o Brasil.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Por trás do rótulo laranja

Muita história, informações sobre o mundo dos vinhos e uma boa narrativa. Esses são os ingredientes da biografia “A Viúva Clicquot” (em torno de R$ 40,00), da americana Tilar J. Mazzeo. O livro, lançado no Brasil pela editora Rocco, é uma viagem deliciosa pela trajetória comercial e, até mesmo, pessoal de Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, profundamente ligada ao contexto histórico da França e do continente entre o fim do século XVIII e meados do XIX.

Informações preciosas sobre o universo de Baco – capazes de interessar tanto aos conhecedores do assunto quanto aos leigos – estão entre os grandes trunfos do livro. Exemplo disso é o dado curioso, e ainda pouco divulgado, de que o espumante é, na verdade, uma invenção inglesa. Vale destacar, ainda, que a bebida que seduziu a Rússia Czarista e tornou a viúva uma das mulheres mais ricas e famosas de seu tempo era uma espécie de xarope adocicado. Apenas em meados do século XIX a viúva se rendeu ao gosto do mercado inglês e lançou o Champagne brut, bebida seca que ganhou o rótulo cor de laranja nos moldes do que conhecemos hoje. A precursora do Champagne seco, porém, foi outra viúva, Louise Pommery, uma entre as várias mulheres que trilharam o caminho aberto por Barbe-Nicole no mundo do vinho.

A ousadia comercial da viúva, que por meio de um caminho tortuoso construiu seu império, impressiona, mas tão interessantes quanto os sucessos de Barbe-Nicole são os seus fracassos – motivados em boa parte também pela impetuosidade nos negócios. Tilar J. Mazeo pinta um retrato realista da famosa viúva, apontando as dúvidas, contradições e fraquezas de uma mulher que, mesmo se destacado em um mercado dominado pelos homens, nada tinha de feminista. A leitura dessa biografia, no entanto, tem um grave efeito colateral: desperta na gente uma vontade louca de tomar o famoso Champagne do rótulo laranja. Uma garrafa da viúva, por favor!

domingo, 29 de novembro de 2009

Celebridade catalã

O Cristalino Brut (R$ 29,00) é um representante da principal região produtora de Cavas (denominação de origem dos espumantes espanhóis), a Catalunha, que tem como capital a badalada Barcelona. É um Cava muito bem–conceituado, que figura entre as dez melhores compras da Wine Spectator e alcançou 91 pontos na avaliação da Wine Spirits Magazine.

Produzido pela Familia Garcia Carrión, o Cristalino Brut é composto pelas uvas Macabeo (50%), Parellada (25%) e Xarel. Lo (25%) – variedades locais típicas dos Cavas. A bebida é produzida pelo método tradicional francês, a champenoise, e passa 12 meses na garrafa antes de posta no mercado. Na taça, agradou bastante, mas não chegou a alcançar as altas expectativas criadas pelo currículo recheado.

O Cristalino Brut apresentou uma bela coloração amarela clara levemente dourada, com bolhas pequenas e persistentes, além de aromas de maçã e notas tostadas. Na boca, é cítrico, frutado, mas também um pouco tostado. Algumas opções indicadas para a harmonização são: frutos do mar, carnes brancas e aperitivos. Embora existam espumantes nacionais mais surpreendentes nessa faixa de preço, é, sem dúvida, um vinho que merece ser degustado.

Cava Cristalino Brut
Preço: R$ 29,00 (na promoção)
Classificação: Muito bom
Harmonização: Frutos do mar, carnes brancas e aperitivos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sexo, drogas e literatura

Assisti a “Nome Próprio”, de Murilo Salles, no Festival de Cinema das Agulhas Negras, em Resende. Há tempos tinha vontade de ver esse filme, que é baseado nos livros “A Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, da blogueira, ou como ela prefere, escritora Clarah Averbuck, e protagonizado pela atriz Leandra Leal (irretocável). Valeu a espera. É um filme marcado pela estética realista, “mundo-cão” e, ainda assim, extremamente poético, que me remeteu de imediato ao controverso e autobiográfico “Trópico de Câncer”, de Henry Miller.

“Nome Próprio” mostra, por meio de uma fotografia claustrofóbica e cenários nada glamourosos, o cotidiano da jovem e destrutiva aspirante a escritora Camila, que expõe sua vida e seus pensamentos em um blog. Em meio a muito sexo, álcool, bolinhas e crises existenciais, a garota alimenta o sonho de publicar um livro – numa busca que parece ser sua única razão de continuar viva. Um detalhe curioso é a aparição de uma garrafa de Almadén (!) em uma das cenas (ver trailer), sem qualquer ar de merchandising.

A obsessão pelas letras aliada à vida desregrada e marginal de Camila fazem dela uma espécie de Henry Miller de saias, com a troca do submundo parisiense dos anos 30 pelos botecos e cafofos paulistanos do século XXI. O viés contemporâneo também está no contraste entre a ânsia de se conectar com o mundo e o crescente isolamento físico e emocional do ser humano, que permeia toda a trama do filme. Para quem tem estômago e é capaz de enxergar a beleza no improvável, um filmaço!


Para assistir ao trailer do filme, clique aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Soul food

Este não é um post sobre a cozinha tradicional dos negros norte-americanos; muito menos se refere ao slogan de alguma igreja evangélica influenciada pelo Tio Sam. O assunto aqui é a comida que ultrapassa a função de matar a fome para se transformar num verdadeiro alimento para a alma, ou seja, a culinária como arte. Capaz de envolver todos os sentidos, evocar sensações e despertar lembranças, a culinária-arte faz da refeição um momento especial, marcante e, até mesmo, mágico.

As características da culinária-arte podem ser as mais variadas: a combinação de ingredientes improváveis, um tempero exótico, um toque de cor, um sabor que nos remete a uma ocasião especial, entre outras. Incluo ainda nessa categoria os pratos que envolvem a história e as tradições de um país ou região e, principalmente, as criações que promovem um verdadeiro intercâmbio cultural entre eles. É o caso de sobremesas franco-brasileiras como o petit gateau de goiabada com sorvete de queijo ou o mesmo bolinho feito com doce de leite, em vez de chocolate, e acompanhado de sorvete de tapioca.

Arte na mesa

Para que a cozinha possa ser o palco dessas grandes obras, a pesquisa, a experimentação e, principalmente, a cabeça e o paladar abertos são essenciais. Isso inclui a deliciosa tarefa de estar sempre à procura de novos pratos nos menus dos restaurantes, testar receitas e revirar delicattessens e supermercados em busca “daquele” ingrediente. Idéias criativas para uma boa apresentação também contribuem para o sucesso da refeição, levando em conta as cores, texturas e a forma do que será servido.

A harmonização com o vinho, por sua vez, é também uma peça-chave para transformar uma refeição em uma experiência mágica. Afinal, o casamento bem-sucedido entre o fermentado e a comida é capaz de valorizar ao máximo o sabor de ambos, criando uma espécie de terceiro sabor cheio de personalidade. Não por acaso, os amantes do vinho costumam ser grandes apreciadores da boa mesa.

Embora esteja longe de ser uma tarefa fácil, acredito que fazer de uma refeição em alimento para a alma seja algo muito mais intuitivo do que braçal, com a criatividade e a imaginação ocupando papel decisivo na cozinha. É claro que comer com arte todo dia é para poucos, mas um toque diferente ou uma combinação inusitada, por exemplo, podem valorizar a comidinha do dia-a-dia e manter a imaginação em forma para as ocasiões especiais. Quem se habilita?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sorteio de espumantes - Resende e região

Com a proximidade das festas de fim de ano, o blog Pequenos Prazeres buscou parcerias com empresas para presentear os leitores com espumantes. Para tanto, serão feitos dois sorteios; este aqui será o primeiro deles, válido apenas para moradores de Resende e região (Volta Redonda, Barra Mansa, Porto Real, Quatis e Itatiaia).

A soteropolitana Ana Import cedeu ao blog duas garrafas do Prosecco La Castella Extra Dry (foto), da tradicional vinícola italiana Astoria, da região do Veneto. Esse espumante é elaborado pelo método charmat longo, caracterizado por um período prolongado de contato com as leveduras. Segundo o produtor, a bebida tem coloração amarelo-palha, com aromas cítricos e florais, bem como boa acidez e persistência na boca. Fundada em 2005, a Ana Import traz para o Brasil com exclusividade cerca de cem rótulos de países como Argentina, Chile, Itália e França.

Já a tradicional Casa Flora, irá oferecer uma garrafa do espumante argentino Nieto Senetiner Brut Nature, já avaliado pelo blog. Cheio de personalidade, essa mescla de Sauvignon Blanc, Torrontes e Sauvignon Gris tem coloração salmão e apresenta aromas cítricos, mas com um toque tostado. Na boca, mostra notas de pêssego e mais frutas cítricas. O método de produção também é o charmat longo. A importadora paulistana Casa Flora é dona de um extenso portfólio de vinhos, que inclui rótulos de países como Austrália, África do Sul, França, Itália e Canadá

Para concorrer a uma das três garrafas, basta deixar um comentário neste post com o seu nome, e-mail e a confirmação de que é morador de Resende, Volta Redonda, Barra Mansa, Porto Real, Quatis ou Itatiaia. O resultado da promoção será divulgado em 4 de dezembro e os prêmios serão retirados pelos ganhadores na loja Rondo Frios, em Resende. Vale lembrar que, em breve, o Pequenos Prazeres fará um novo sorteio de espumantes; desta vez, válido para leitores de qualquer parte do Brasil.

Boa sorte!


Esta promoção é resultado de uma parceria com as empresas Ana Import e Casa Flora, além de contar com o apoio da loja Rondo Frios.

sábado, 21 de novembro de 2009

Borbulha pop


Sinônimo de requinte e privilégio no passado, o espumante tem se afastado cada vez mais de suas raízes aristocráticas para se tornar um produto versátil e popular. Esse vinho que tem “cara de festa” pode ser encontrado hoje em faixas de preço e estilos variados, sob-medida para todos os bolsos e paladares.

Ainda que a origem dessa bebida seja normalmente atribuída à França, mais precisamente ao monge beneditino Dom Pérignon, historiadores especializados defendem que ela surgiu na Inglaterra do século XVII. A descoberta teria acontecido por acaso, a partir das tentativas de comerciantes ingleses de conservar o vinho francês, que chegava ao país em barris de madeira. A técnica desenvolvida pelos ingleses consistia no engarrafamento e no acréscimo de conhaque ao vinho, e terminou por provocar o aparecimento das charmosas borbulhas.

Nome próprio

A bebida, porém, só ganhou fama após ser produzida na região francesa de Champagne, cujo nome foi estendido ao espumante local e é a única no mundo que pode explorar essa denominação. Assim, todo Champagne é um vinho espumante, mas nem todo espumante pode ser chamado de Champagne. De todo modo, aos poucos, outras regiões produtoras também criaram um nome específico para seus espumantes, como o Cava na Espanha, o Sparkling Wine nos Estados Unidos, o Sekt na Alemanha e o Prosecco da Itália. O Lambrusco, por sua vez, é considerado um vinho frisante, pois tem menor concentração de gás carbônico e, portanto, menos bolhas que o espumante.

Mesmo sem um nome específico, o espumante brasileiro coleciona prêmios e já alcançou reconhecimento internacional – sucesso atribuído à acidez dos vinhos brancos aqui produzidos, característica essencial para a elaboração da célebre bebida. Mas a qualidade está longe de ser o único atrativo do espumante Made in Brazil. Nossos preços são pra lá de convidativos e há uma grande variedade de marcas no mercado. Se o espumante já foi um privilégio de poucos, hoje ele ganha ares mais descontraídos e democráticos – em plena sintonia com o nosso clima e com a informalidade típica do brasileiro. Resta pôr a sidra e o Lambrusco de lado e se abrir para essa bebida rica em história e sabor, que tem tudo para tornar uma instituição nacional.

Em breve, mais posts e surpresas borbulhantes!